Principais Doenças das Abelhas: Sintomas, Riscos e Cuidados

Manter as abelhas saudáveis é uma das tarefas mais importantes dentro de qualquer apiário. Uma colônia que apresenta doenças pode perder população, reduzir a produção de mel e, em determinadas situações, contribuir para a disseminação de problemas sanitários para outras colmeias.

As doenças das abelhas podem afetar principalmente as crias ou as abelhas adultas. Além disso, ácaros, fungos, bactérias, vírus e outros agentes podem provocar alterações que exigem investigação. A Embrapa destaca que reconhecer rapidamente anormalidades na colônia é fundamental para adotar medidas adequadas e evitar a disseminação de doenças.

No Brasil, a sanidade apícola também é acompanhada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária por meio do Programa Nacional de Sanidade Apícola, que estabelece ações de prevenção, controle, vigilância e comunicação de doenças de notificação obrigatória.

Por isso, o apicultor precisa saber reconhecer os principais sinais de alerta, entender quais problemas podem ser confundidos entre si e saber quando procurar orientação veterinária ou do serviço oficial de defesa sanitária.

Quais são as principais doenças das abelhas?

Entre os problemas sanitários que podem afetar as abelhas estão:

  • Loque americana.
  • Loque europeia.
  • Cria giz.
  • Cria ensacada.
  • Nosemose.
  • Varroose.
  • Acariose.
  • Vírus da asa deformada.
  • Infestação pelo pequeno besouro das colmeias.
  • Infestação por Tropilaelaps.

A Plataforma Agrotag, da Embrapa, reúne diversas dessas doenças e parasitas entre os principais problemas sanitários que devem ser considerados na criação de Apis mellifera.

É importante destacar que doença, praga, intoxicação e problema de manejo não são a mesma coisa.

Uma colmeia com muitas abelhas mortas, por exemplo, não deve ser diagnosticada automaticamente como doente. Mortalidade pode estar relacionada a intoxicação, manejo inadequado, fome, frio ou outros fatores. A Adapar ressalta justamente que a investigação é necessária para determinar a causa.

Como saber se uma colmeia está doente?

O primeiro passo é observar mudanças fora do padrão normal da colônia.

Alguns sinais merecem atenção:

  • redução repentina da população;
  • muitas abelhas mortas dentro ou fora da colmeia;
  • dificuldade de voo;
  • abelhas rastejando;
  • alterações nas asas;
  • cria com aparência anormal;
  • larvas mortas;
  • odor incomum;
  • favos danificados;
  • presença de ácaros ou outros organismos;
  • redução inesperada da atividade;
  • queda persistente no desenvolvimento da colônia.

Nenhum desses sinais, isoladamente, permite identificar todas as doenças.

Por isso, o diagnóstico deve considerar o conjunto de sinais e, quando necessário, contar com avaliação especializada e exames laboratoriais.

1. Loque americana

A loque americana é uma doença bacteriana que afeta principalmente as crias.

Ela é considerada uma enfermidade de grande importância sanitária e está entre as doenças de notificação obrigatória no Brasil.

Os sinais podem incluir alterações na aparência das crias e morte de larvas ou pupas.

O problema é que algumas alterações na cria podem se parecer com outras doenças. Por isso, uma suspeita não deve ser tratada simplesmente com medicamentos escolhidos por conta própria.

O que fazer diante de suspeita?

O mais importante é evitar a movimentação indiscriminada de colmeias, favos ou materiais entre apiários.

Também é necessário procurar orientação do Serviço Veterinário Oficial para saber quais procedimentos devem ser adotados.

O MAPA estabelece que doenças de notificação obrigatória devem ser comunicadas imediatamente quando houver suspeita ou conhecimento da ocorrência.

2. Loque europeia

A loque europeia também é uma doença bacteriana que afeta as crias.

Ela aparece nas listas oficiais de doenças de notificação obrigatória utilizadas na vigilância sanitária brasileira.

Assim como ocorre com outras enfermidades da cria, a aparência alterada das larvas não deve ser utilizada isoladamente para fechar um diagnóstico.

O apicultor deve registrar o problema, evitar disseminar material potencialmente contaminado e procurar orientação técnica.

3. Cria giz

A cria giz é uma doença causada pelo fungo Ascosphaera apis.

O nome está relacionado ao aspecto característico que as larvas mortas podem adquirir, ficando semelhantes a pequenos pedaços de giz.

A doença aparece entre os problemas sanitários reconhecidos oficialmente para as abelhas melíferas.

Quando houver suspeita, é importante observar:

  • quantidade de crias afetadas;
  • distribuição das alterações;
  • condições gerais da colônia;
  • umidade e ventilação;
  • presença de outros sinais sanitários.

O manejo deve ser direcionado à causa e às condições da colônia, evitando aplicações improvisadas de produtos.

4. Cria ensacada

A cria ensacada é outro problema que pode provocar alterações nas crias.

A Embrapa inclui a doença entre os principais problemas sanitários que podem afetar Apis mellifera.

O apicultor pode perceber alterações na aparência das larvas e pupas.

Entretanto, como diferentes doenças podem produzir sinais parecidos, a identificação visual nem sempre é suficiente.

Por isso, diante de um quadro significativo ou persistente, procure orientação técnica.

5. Nosemose

A nosemose é uma doença associada a microsporídios que afetam o trato digestivo das abelhas adultas.

A Epagri cita Nosema ceranae entre os agentes relacionados a problemas sanitários que podem prejudicar as colônias.

Os sinais podem ser pouco específicos.

Por isso, queda de população, redução do desempenho ou alterações comportamentais não devem ser automaticamente atribuídas à nosemose.

Quando houver suspeita, a investigação adequada é importante para diferenciar a doença de outros problemas.

6. Varroose

A varroose é causada pelo ácaro Varroa destructor.

Esse problema merece atenção especial porque o ácaro pode comprometer a saúde das abelhas e também estar relacionado à transmissão ou agravamento de infecções virais.

A Epagri destaca a varroa entre os principais causadores de danos às colônias na apicultura mundial.

A Plataforma Agrotag também lista a varroatose entre os principais problemas sanitários de Apis mellifera.

Como a varroa será abordada de forma específica no próximo artigo do nosso planejamento, aqui o mais importante é entender que seu controle exige monitoramento e manejo adequado.

7. Acariose

A acariose está relacionada ao ácaro Acarapis woodi.

Ela aparece nas listas oficiais de doenças das abelhas acompanhadas pela defesa sanitária.

Alguns sinais podem ser confundidos com outros problemas que afetam o voo e o comportamento das abelhas.

Por isso, não é recomendável tentar identificar a doença apenas pela observação de uma abelha isolada.

8. Vírus da asa deformada

O vírus da asa deformada pode provocar alterações no desenvolvimento das abelhas.

A Plataforma Agrotag inclui o vírus entre os problemas sanitários identificados em Apis mellifera.

Abelhas adultas com asas deformadas ou incapazes de voar adequadamente merecem atenção.

Entretanto, a presença de asas deformadas também deve ser analisada considerando a possibilidade de infestação por varroa, já que existe uma relação importante entre esse ácaro e a circulação de determinados vírus.

9. Pequeno besouro das colmeias

O pequeno besouro das colmeias, Aethina tumida, é uma praga de importância sanitária.

Os adultos e as larvas podem provocar danos nos favos e comprometer mel, pólen e crias.

A Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco destaca que o Aethina tumida pode danificar favos e comprometer mel, pólen e crias.

A presença desse inseto deve ser levada a sério, especialmente porque existem medidas oficiais de vigilância relacionadas à sua ocorrência.

10. Tropilaelaps

Os ácaros do gênero Tropilaelaps também aparecem entre as doenças ou infestações de notificação obrigatória acompanhadas pela defesa sanitária brasileira.

Para o apicultor brasileiro, o ponto mais importante é saber reconhecer que a suspeita de uma enfermidade ou infestação de importância sanitária pode exigir comunicação imediata.

Não tente resolver sozinho um problema que possa representar risco para outros apiários.

Doença ou falta de alimento? Como diferenciar?

Essa é uma das dúvidas mais importantes no manejo.

Uma colônia enfraquecida pode apresentar sinais que parecem indicar doença, mas podem estar relacionados à falta de alimento.

Observe:

Se há pouca entrada de alimento

A redução da atividade pode estar relacionada à escassez.

Se existem muitas abelhas mortas

Investigue também a possibilidade de intoxicação.

A Adapar destaca que mortalidade pode estar relacionada a manejo, intoxicação por agrotóxicos, fome ou frio, entre outras causas.

Se a cria apresenta alterações

Nesse caso, doenças da cria devem entrar na investigação.

Se existem abelhas com asas deformadas

Considere problemas associados a varroa e vírus, entre outras possibilidades.

O segredo é não tentar diagnosticar uma colmeia apenas com base em um sintoma.

O que fazer quando encontrar uma colmeia com sinais de doença?

A primeira medida é não espalhar o problema para outras colmeias.

Evite transferir:

  • quadros;
  • abelhas;
  • favos;
  • caixas;
  • equipamentos;
  • rainhas;

entre colmeias suspeitas e colmeias saudáveis sem orientação adequada.

O MAPA orienta os apicultores a manter registros de doenças, medicamentos e outros insumos utilizados no apiário, além de comunicar alterações significativas da condição sanitária.

1. Isole a situação

Se uma colmeia apresenta sinais muito diferentes das demais, trate-a como uma situação que merece investigação.

Evite realizar trocas de material entre colônias até entender o que está acontecendo.

2. Registre os sinais

Anote:

  • data;
  • colmeia afetada;
  • quantidade aproximada de abelhas mortas;
  • aparência das crias;
  • presença de parasitas;
  • condições climáticas;
  • alimentação disponível;
  • produtos utilizados;
  • alterações recentes no manejo.

Essas informações podem ajudar bastante na investigação.

3. Procure orientação técnica

Quando houver suspeita de doença relevante, procure o Serviço Veterinário Oficial do seu estado ou município.

O PNSAp estabelece justamente uma estrutura de vigilância e participação dos apicultores na identificação e comunicação de problemas sanitários.

Posso usar antibióticos por conta própria?

Não é uma boa prática.

O uso indiscriminado de medicamentos pode mascarar sinais, dificultar o diagnóstico e provocar problemas relacionados a resíduos nos produtos apícolas.

O MAPA orienta que sejam utilizados somente insumos agropecuários registrados, respeitando as indicações de uso.

Portanto, não utilize antibióticos ou outros produtos simplesmente porque uma colmeia apresenta crias alteradas.

Primeiro, procure identificar a causa.

Como prevenir doenças no apiário?

A prevenção começa muito antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

Entre as principais medidas estão:

  1. Fazer inspeções regulares.
  2. Manter registros das colmeias.
  3. Observar alterações no padrão da cria.
  4. Monitorar parasitas.
  5. Evitar movimentação desnecessária de materiais entre colmeias.
  6. Comprar abelhas e rainhas de procedência confiável.
  7. Manter o cadastro do apiário atualizado conforme as exigências locais.
  8. Registrar doenças e tratamentos.
  9. Utilizar somente produtos autorizados.
  10. Comunicar suspeitas sanitárias relevantes.

A Embrapa destaca que a identificação precoce é importante para reduzir a disseminação de doenças, enquanto o MAPA reforça o papel do apicultor na vigilância sanitária.

A higiene dos equipamentos ajuda a prevenir problemas?

Sim.

Materiais contaminados podem contribuir para a disseminação de determinados agentes entre colônias.

Por isso, o apicultor deve evitar compartilhar equipamentos de forma indiscriminada entre colmeias suspeitas e saudáveis.

Também é importante manter caixas, quadros, ferramentas e demais materiais em boas condições.

A prevenção sanitária não depende de uma única ação. Ela resulta de um conjunto de práticas realizadas continuamente.

Quando devo comunicar uma suspeita de doença?

Quando houver suspeita ou conhecimento de uma doença de notificação obrigatória, o MAPA determina comunicação imediata ao órgão responsável pela defesa sanitária animal.

O apicultor não precisa esperar que todas as características estejam confirmadas para buscar orientação.

Quando houver dúvida, é melhor comunicar e receber orientação do serviço oficial do que movimentar a colmeia e potencialmente contribuir para a disseminação do problema.

Checklist de saúde da colmeia

Durante uma inspeção, observe:

Item O que verificar
Abelhas adultas População normal e comportamento
Cria Aparência e distribuição
Asas Alterações ou deformidades
Mortalidade Quantidade e localização
Favos Integridade e sinais anormais
Parasitas Presença de ácaros ou insetos
Alimento Mel e pólen disponíveis
Odor Alterações incomuns
Ambiente Umidade, temperatura e condições locais
Histórico Mudanças recentes no manejo

Esse checklist não substitui diagnóstico veterinário, mas ajuda o apicultor a perceber alterações mais cedo.

Perguntas frequentes sobre doenças das abelhas

Qual é a doença mais perigosa para as abelhas?

Não existe uma única doença que possa ser considerada a mais perigosa em todas as situações. O impacto depende do agente, da condição da colônia e da capacidade de disseminação. Algumas doenças e infestações possuem importância sanitária especial e fazem parte dos sistemas oficiais de vigilância.

Como saber se minhas abelhas estão doentes?

Observe alterações na população, comportamento, voo, aparência das crias, mortalidade e presença de parasitas. Porém, esses sinais não são suficientes para diagnosticar todas as doenças.

Abelhas mortas perto da colmeia significam doença?

Não necessariamente. Mortalidade pode ocorrer por intoxicação, problemas de manejo, fome, frio e outros fatores.

Posso tratar uma doença sem confirmar o diagnóstico?

Não é recomendado. O tratamento inadequado pode mascarar sintomas, provocar resíduos e não resolver a causa real do problema.

O que fazer se suspeitar de uma doença de notificação obrigatória?

Evite movimentar abelhas, favos e materiais da colmeia suspeita e procure imediatamente o Serviço Veterinário Oficial. O MAPA orienta a comunicação imediata em caso de suspeita ou ocorrência de doenças de notificação obrigatória.

Varroa é uma doença?

Tecnicamente, a varroa é uma infestação causada por ácaros. Ela está entre os principais problemas sanitários da apicultura e pode comprometer significativamente as colônias.

A prevenção começa pela observação

Cuidar da saúde das abelhas não significa apenas agir quando uma colmeia já está doente.

O melhor resultado vem de um manejo preventivo, baseado em inspeções regulares, registros, controle adequado de parasitas, cuidado com a movimentação de materiais e atenção às mudanças no comportamento das colônias.

Além disso, o apicultor precisa saber reconhecer seus limites. Uma alteração visual pode levantar uma suspeita, mas nem sempre permite determinar qual doença está presente.

Quando houver sinais importantes, principalmente diante de doenças de notificação obrigatória, o caminho mais seguro é procurar o Serviço Veterinário Oficial e seguir as orientações sanitárias.

Assim, além de proteger suas próprias colmeias, o apicultor contribui para proteger os demais apiários e a própria cadeia produtiva da apicultura brasileira.

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theapicultor

The Apicultor é filho de apicultor e aprendeu a amar as abelhas desde cedo. Atua há mais de 20 anos na área da apicultura como atividade complementar. A partir dessa experiência e da vontade de compartilhar informações úteis com outros apicultores, criou o site A APICULTURA, dedicado a conteúdos sobre apicultura, abelhas, meliponicultura, mel e temas relacionados.

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