Varroa nas Abelhas: O Que É, Como Identificar e Por Que se Preocupar

A Varroa destructor é um dos principais problemas sanitários enfrentados pela apicultura. Esse ácaro parasita as abelhas, pode se reproduzir nas células de cria e também permanecer sobre abelhas adultas. Quando a infestação aumenta, a colônia pode perder força, apresentar problemas no desenvolvimento e ficar mais vulnerável a outros agentes.

O problema merece atenção porque nem sempre uma colmeia infestada apresenta sinais evidentes no início. Por isso, esperar que as abelhas apareçam debilitadas para começar a investigar pode atrasar o manejo.

A Epagri recomenda que o apicultor faça o monitoramento da infestação antes de decidir pelo controle, justamente para evitar tratamentos desnecessários e permitir uma tomada de decisão baseada em dados.

O que é a varroa nas abelhas?

A varroa é um ácaro da espécie Varroa destructor que parasita principalmente a abelha melífera Apis mellifera.

O ácaro possui coloração marrom-avermelhada e pode ser observado a olho nu quando está sobre a abelha ou em determinadas regiões do favo. A Epagri descreve o parasita como um organismo de tamanho milimétrico, aproximadamente comparável ao tamanho da cabeça de um alfinete.

A varroa pode ser encontrada:

  • sobre abelhas adultas;
  • dentro de células de cria;
  • sobre zangões;
  • sobre operárias;
  • sobre rainhas.

Entretanto, a fase reprodutiva do ácaro ocorre principalmente nas células de cria operculada.

Esse comportamento torna o controle mais complexo, porque parte da população do parasita fica protegida dentro das células.

Por que a varroa é perigosa para a colmeia?

O problema não está apenas na presença de alguns ácaros.

Quando a infestação aumenta, as abelhas podem apresentar redução da qualidade e da expectativa de vida, enquanto as crias parasitadas podem apresentar desenvolvimento prejudicado.

Além disso, a varroa está relacionada à circulação e transmissão de vírus que podem agravar os problemas sanitários da colônia.

A Embrapa destaca a varroatose entre as doenças e problemas sanitários que exigem medidas preventivas e monitoramento. Entre as recomendações estão acompanhar o percentual de infestação, manter as colônias fortalecidas e utilizar estratégias de controle quando necessário.

Como a varroa entra e se espalha no apiário?

A movimentação das próprias abelhas é uma das formas pelas quais o ácaro pode passar de uma colônia para outra.

Isso pode acontecer durante:

  • deriva de abelhas;
  • pilhagem;
  • enxameação;
  • movimentação de colônias;
  • introdução de material infestado;
  • contato entre colônias próximas.

Por isso, o problema não deve ser analisado apenas em uma colmeia.

Uma colônia aparentemente saudável pode estar próxima de outra com alta infestação.

A Epagri destaca que os problemas que afetam a produtividade das colmeias normalmente resultam da combinação de diferentes fatores, reforçando a importância de uma abordagem integrada de manejo.

Como identificar a varroa na colmeia?

A maneira mais segura de acompanhar a infestação é fazer monitoramento, e não depender somente da observação visual.

O ácaro adulto pode ser visto sobre as abelhas, especialmente quando se sabe onde procurar.

Entretanto, uma inspeção visual simples não informa quantos ácaros existem na colônia.

Por isso, o apicultor deve utilizar um método de contagem adequado.

Quais são os sinais de uma infestação?

Em níveis elevados, alguns sinais podem aparecer:

  • abelhas com asas deformadas;
  • abelhas com desenvolvimento comprometido;
  • redução da população;
  • crias com alterações;
  • aumento de mortalidade;
  • abelhas rastejando;
  • redução da produtividade;
  • colônias que perdem força progressivamente.

Porém, esses sinais não são exclusivos da varroa.

Uma abelha com asa deformada, por exemplo, pode estar associada a problemas virais relacionados à infestação, mas o diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência.

Por isso, sintomas servem como alerta, enquanto o monitoramento serve para medir o problema.

Como monitorar a varroa?

Existem diferentes métodos de monitoramento.

Entre eles estão técnicas que permitem estimar a quantidade de ácaros presentes em uma amostra de abelhas adultas.

O objetivo é calcular o percentual de infestação.

A Epagri recomenda realizar a contagem de varroas nos apiários antes de tomar a decisão de aplicar produtos para controle.

Essa abordagem é importante porque nem toda presença de varroa exige automaticamente o mesmo tipo de intervenção.

Por que contar as varroas?

Imagine duas colmeias:

Colmeia A: apresenta poucos ácaros e população forte.

Colmeia B: apresenta uma infestação elevada e população em queda.

Embora ambas tenham varroa, a situação sanitária não é a mesma.

A contagem permite que o apicultor acompanhe a evolução da infestação e compare os resultados ao longo do tempo.

Além disso, o monitoramento ajuda a avaliar se uma estratégia de controle funcionou.

Qual é o nível de infestação considerado preocupante?

Os valores de referência podem variar conforme região, época do ano, método utilizado e estratégia sanitária.

Por isso, não é recomendável transformar um único número em regra universal para todos os apiários.

A Epagri, por exemplo, apresenta valores de referência específicos para suas condições de manejo em Santa Catarina. Em material técnico, indica como níveis toleráveis até 7% em operárias e 14% em crias durante a entressafra, e até 3% em operárias e 6% em crias durante a safra.

Esses valores não devem ser aplicados automaticamente a qualquer região do Brasil.

O melhor procedimento é utilizar uma metodologia de monitoramento consistente e seguir recomendações técnicas adaptadas à realidade do seu apiário.

Como fazer o controle da varroa?

O controle deve ser baseado em um programa integrado de manejo.

Isso significa que o apicultor não deve depender exclusivamente de produtos.

Entre as estratégias possíveis estão:

  • monitoramento periódico;
  • manutenção de colônias fortes;
  • boa alimentação;
  • renovação adequada dos favos;
  • seleção de colônias com características favoráveis;
  • utilização de métodos de controle apropriados;
  • acompanhamento dos resultados.

A Embrapa recomenda monitorar a infestação e, quando necessário, realizar tratamentos, além de citar estratégias como o uso de favos isca de cria de zangões.

O manejo preventivo realmente ajuda?

Sim.

Uma colônia forte e bem nutrida possui melhores condições para enfrentar diferentes desafios sanitários.

Isso não significa que uma colônia forte ficará automaticamente livre da varroa.

O objetivo é reduzir os fatores que podem agravar os impactos do parasita.

A Embrapa recomenda manter os enxames fortalecidos e bem nutridos dentro das medidas preventivas para a varroatose.

O ácido oxálico funciona contra a varroa?

O ácido oxálico é uma das substâncias utilizadas no manejo da varroa em determinados sistemas de produção.

A Epagri relata bons resultados com seu uso em estratégias de controle e, em Santa Catarina, recomenda o produto em determinadas situações de infestação.

Entretanto, isso não significa que o apicultor deva preparar ou aplicar qualquer formulação por conta própria.

O produto, a concentração, a forma de aplicação, o momento do tratamento e as condições de uso precisam seguir orientação técnica e as regras aplicáveis ao produto registrado.

Além disso, o objetivo não deve ser simplesmente “matar o máximo de ácaros possível”.

O controle precisa preservar a saúde das abelhas e a qualidade dos produtos da colmeia.

Posso usar qualquer produto contra a varroa?

Não.

Esse é um dos pontos mais importantes para o apicultor.

Produtos utilizados no apiário precisam estar de acordo com as exigências aplicáveis e ser utilizados conforme a indicação do fabricante e orientação técnica.

O uso inadequado pode:

  • deixar resíduos nos produtos;
  • prejudicar as abelhas;
  • favorecer resistência do ácaro;
  • causar intoxicação;
  • comprometer a qualidade do mel.

O MAPA mantém o Programa Nacional de Sanidade Apícola, que trabalha com prevenção, controle, vigilância e intervenção diante de problemas sanitários das abelhas.

Portanto, não é recomendável comprar um produto sem procedência e aplicá-lo simplesmente porque alguém afirmou que “funciona contra a varroa”.

A varroa pode ficar resistente aos tratamentos?

Sim.

O uso repetido e inadequado de determinados produtos pode favorecer a seleção de populações resistentes.

Por isso, depender continuamente do mesmo princípio ativo sem monitoramento pode reduzir a eficiência do controle.

A Epagri destaca a importância do monitoramento antes da aplicação de produtos.

A lógica é simples:

monitorar → decidir → controlar → verificar novamente.

Esse ciclo é muito mais eficiente do que aplicar produtos automaticamente em todas as colmeias.

O que são favos isca para controle da varroa?

O controle utilizando cria de zangões explora uma característica do ciclo reprodutivo da varroa.

As fêmeas do ácaro apresentam preferência pela reprodução em células de cria de zangões.

A Embrapa cita o uso de favos isca de cria aberta de zangões como uma estratégia de controle biológico e recomenda a retirada da cria operculada infestada dentro desse método.

Essa técnica exige conhecimento e execução adequada.

Se o favo infestado permanecer na colmeia, o objetivo do manejo pode ser perdido.

Por isso, o método deve fazer parte de um programa de controle planejado.

A varroa mata a colmeia?

Uma infestação elevada pode contribuir para o enfraquecimento severo e até para a perda da colônia.

Entretanto, a situação normalmente não deve ser explicada por um único fator.

A Epagri destaca que varroa, Nosema e outros fatores podem atuar em conjunto e que os problemas mais graves de produtividade frequentemente resultam da combinação de diferentes condições.

Por isso, diante de uma colmeia enfraquecida, investigue também:

  • disponibilidade de alimento;
  • qualidade da rainha;
  • doenças;
  • outras pragas;
  • condições climáticas;
  • manejo;
  • exposição a produtos químicos;
  • população da colônia.

Varroa pode causar asas deformadas?

Pode estar relacionada.

O vírus da asa deformada é associado à infestação por varroa e pode produzir abelhas com asas deformadas e incapacidade de voo normal.

Porém, encontrar uma abelha com asa deformada não é suficiente para determinar a causa.

Nesse caso, o ideal é verificar a presença de varroa e avaliar a situação sanitária da colônia.

Essa é outra razão pela qual o monitoramento é mais confiável do que simplesmente observar sintomas.

O que fazer quando encontro muita varroa?

Se o monitoramento indicar infestação elevada, não espere a colônia perder força completamente.

Faça uma avaliação da situação e escolha uma estratégia de controle adequada à sua região, sistema de produção e legislação aplicável.

O planejamento deve considerar:

  1. Nível de infestação.
  2. Época do ano.
  3. Presença de cria.
  4. Força da colônia.
  5. Histórico de tratamentos.
  6. Produto disponível e autorizado.
  7. Possibilidade de resistência.
  8. Segurança das abelhas.
  9. Segurança do mel e demais produtos.

A Epagri recomenda que o controle seja precedido por monitoramento e que os manejos preventivos sejam realizados para manter as colônias saudáveis.

Como evitar a disseminação da varroa entre colmeias?

A prevenção começa reduzindo situações que favorecem a transferência de ácaros.

Tenha cuidado com:

Deriva

Abelhas podem entrar na colmeia errada, levando parasitas consigo.

Pilhagem

Uma colônia enfraquecida pode ser atacada por outras abelhas.

Esse contato pode facilitar a transferência de varroas.

Movimentação de favos

Evite transferir favos entre colônias sem conhecer a condição sanitária das caixas.

Compra de colônias

Ao adquirir abelhas, procure fornecedores confiáveis e observe a condição sanitária do material.

Enxames

Enxames capturados ou adquiridos também devem ser acompanhados.

Com que frequência devo monitorar a varroa?

Não existe uma única frequência que sirva para todos os sistemas.

A necessidade depende do nível de infestação, época do ano, histórico do apiário e método utilizado.

Como referência, a Epagri recomenda monitoramento de três a quatro vezes ao ano e sempre antes da decisão de aplicar produtos para controle.

Em apiários que já apresentaram problemas, entretanto, o acompanhamento pode precisar ser mais frequente.

O importante é não esperar os primeiros sinais graves para começar a medir.

Varroa aparece somente em algumas colmeias?

Pode acontecer.

Mesmo em um mesmo apiário, diferentes colônias podem apresentar níveis diferentes de infestação.

Isso reforça a importância de monitorar as colmeias individualmente.

Não é seguro presumir que todas possuem exatamente a mesma quantidade de ácaros.

Além disso, a infestação pode mudar ao longo do tempo.

Checklist para monitorar a varroa

Antes de tomar qualquer decisão, confira:

Item O que observar
Presença de ácaros Há varroas visíveis?
Monitoramento Foi feita uma contagem adequada?
Nível de infestação Está aumentando ou diminuindo?
Cria Existem sinais de problemas no desenvolvimento?
Abelhas adultas Há deformações ou enfraquecimento?
População A colônia está forte?
Alimento Existe disponibilidade suficiente?
Histórico Já houve infestação anteriormente?
Tratamentos Quais produtos ou métodos foram utilizados?
Resistência O controle continua funcionando?
Época É safra ou entressafra?

Esse acompanhamento permite transformar a varroa de um problema inesperado em um problema monitorado.

Perguntas frequentes sobre varroa

O que é varroa?

É um ácaro da espécie Varroa destructor que parasita abelhas melíferas e pode comprometer a saúde e o desenvolvimento das colônias.

Como saber se minhas abelhas têm varroa?

O ácaro pode ser observado sobre algumas abelhas, mas a melhor maneira de avaliar a infestação é utilizar um método de monitoramento e contagem.

Toda colmeia com varroa precisa ser tratada?

Não necessariamente. A decisão deve considerar o nível de infestação, a época, a condição da colônia e as recomendações técnicas aplicáveis. A Epagri recomenda monitorar antes de decidir pela aplicação de produtos.

A varroa pode matar uma colmeia?

Infestações elevadas podem enfraquecer severamente a colônia e contribuir para sua perda, especialmente quando existem outros problemas sanitários ou nutricionais.

Posso usar ácido oxálico contra a varroa?

O ácido oxálico é utilizado em determinadas estratégias de controle, mas seu uso deve seguir produto, indicação, concentração, método e orientação adequados. Não é recomendável improvisar formulações.

Como prevenir a varroa?

O melhor caminho é combinar monitoramento periódico, manutenção de colônias fortes, boa nutrição, controle adequado e redução de situações que favoreçam a disseminação entre colmeias.

A varroa passa de uma colmeia para outra?

Sim. A movimentação das abelhas, deriva, pilhagem, enxameação e movimentação de materiais podem favorecer a disseminação.

Posso simplesmente aplicar um produto quando encontrar uma varroa?

Não é a melhor estratégia. Primeiro avalie o nível de infestação. O objetivo é utilizar o controle necessário no momento adequado, evitando aplicações desnecessárias.

Monitorar é melhor do que esperar o problema aparecer

A varroa exige atenção porque uma infestação pode crescer sem apresentar sinais evidentes no início.

Por isso, o apicultor que acompanha regularmente suas colmeias consegue identificar alterações antes que o problema se transforme em uma perda significativa de população.

Mais importante ainda, o controle não deve ser baseado em aplicações automáticas.

O caminho mais seguro é monitorar, avaliar o nível de infestação, escolher uma estratégia adequada e verificar novamente o resultado.

Além disso, manter colônias fortes, bem nutridas e com bom manejo sanitário ajuda a reduzir os impactos do parasita.

Quando o apicultor transforma o monitoramento em parte da rotina do apiário, a varroa deixa de ser um problema invisível e passa a ser uma condição que pode ser acompanhada e manejada de forma muito mais eficiente.

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theapicultor

The Apicultor é filho de apicultor e aprendeu a amar as abelhas desde cedo. Atua há mais de 20 anos na área da apicultura como atividade complementar. A partir dessa experiência e da vontade de compartilhar informações úteis com outros apicultores, criou o site A APICULTURA, dedicado a conteúdos sobre apicultura, abelhas, meliponicultura, mel e temas relacionados.

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